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As mulheres, os homens e a família sentem o luto de forma diferente.
Enquanto as mulheres manifestam a dor chorando, os homens têm tendência a virar-se mais para o trabalho, evitando pensar no assunto.
As mulheres e os homens sentem a experiência de luto por aborto espontâneo de forma diferente. As mulheres, geralmente exprimem mais abertamente os seus sentimentos, falando da perda e procurando apoio nos amigos e familiares.
A sociedade espera que os homens sejam mais fortes, que escondam o choro e o sofrimento. Por esta razão, o homem sente a dor de forma mais solitária. Os homens têm também menos tendência para desabafar com amigos, procurar grupos de auto-ajuda e iniciar uma psicoterapia.
Enquanto as mulheres manifestam a dor chorando, os homens têm tendência a virar-se mais para o trabalho, evitando pensar no assunto.
Estas diferenças em lidar com o sofrimento podem originar problemas na relação conjugal. O distanciamento do homem cria na mulher a sensação de estar a ser abandonada, pensando que sofre sozinha, pois o seu companheiro parece não estar a sofrer tanto como ela.
Por outro lado, as manifestações claras de sofrimento da mulher (choro, tristeza, apatia) podem fazer com que o homem tema que a sua companheira jamais consiga superar a perda.
É importante que o investimento na relação não seja descurado neste momento difícil. O casal deve investir ainda mais no diálogo, no interesse pelas necessidades e pelo bem-estar do outro, na partilha do sofrimento.
É também importante que aceitem que todas as pessoas são diferentes e que não lidam com os problemas e contrariedades da mesma forma.
Outras razões para a existência de diferenças na vivência do luto derivam da própria vinculação ao bebé, que é diferente para homens e mulheres.
O laço que existe entre a mulher e o bebé que viveu dentro de si é único. É natural que a relação dos homens não seja tão forte e tão real.
Apesar de existir um aumento de vinculação pelo visionamento das ecografias, pela percepção de que o bebé reage a estímulos exteriores e pela possibilidade de sentir os pontapés ao tocar na barriga da mãe, a vinculação do pai ao bebé aumenta em fases avançadas da gravidez e especialmente após o nascimento. No caso da mulher, esta relação próxima com o bebé existe desde o início da gravidez.
A perda do bebé afecta não só a mãe e o pai, mas também todos aqueles que com eles se relacionam.
Muitos familiares podem ter dificuldade em lidar com a situação: não sabem o que dizer, o que fazer, como exprimir o seu pesar e como demonstrar a sua solidariedade. Não sabem se devem aproximar-se ou se devem manter alguma distância. Criam por sua vez a sensação que preferiram distanciar-se e que não estão interessados em dar apoio.
Para solucionar este desconforto, deverá conversar abertamente com eles, abordando este tema. Poderá mostrar-lhes o quanto necessita deles para conversar e para partilhar sentimentos e medos. Todos os que estão preocupados consigo ficarão agradecidos em saber que podem fazer algo útil por si.
Se sentir que não está a ultrapassar alguma das etapas normais do luto e se sente que precisa de ajuda, procure um técnico especializado que poderá ajudá-la a seguir em frente.
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