Maria Teresa Ramalhão da Silva Pereira
(13-10-1988 - 12-12-2005)
É sempre bom estar contigo...

Rapariga simples, justa, sincera, brincalhona, empenhada, mimada, maria rapaz, portista, com uma relação muito especial com os animais, principalmente com cães, é assim que recordo a minha filha para sempre.

A Mafalda Veiga era uma das cantoras favoritas. A canção Um Pouco de Céu andava sempre na sua boca.

Mais tarde ao ler com atenção a letra reparei que a mesma tinha muito a ver com ela e com a fase final da sua vida.
Não resisto em enviá-la.

Só hoje senti

que o rumo a seguir

levava pra longe,

senti que este chão

já não tinha espaço

pra tudo o que foge,

não sei o motivo pra ir,

só sei que não posso ficar,

não sei o que vem a seguir,

mas quero procurar...


e hoje deixei

de tentar erguer

os planos de sempre,

aqueles que são

pra outro amanhã

que há-de ser diferente,

não quero levar o que dei,

talvez nem sequer o que é meu,

é que hoje parece bastar

um pouco de céu,

um pouco de céu,

 

só hoje esperei

já sem desespero

que a noite caísse,

nenhuma palavra

foi hoje diferente

do que já se disse,

e há qualquer coisa a nascer

bem dentro no fundo de mim,

e há uma força a vencer

qualquer outro fim,


não quero levar o que dei,

talvez nem sequer o que é meu,

é que hoje parece bastar

um pouco de céu

um pouco de céu...

                                                                                       Mafalda Veiga

 

 

Últimas Velas



A teresa tem novo site: escrever no Google recordar a teresa e aparece logo. Agradeço a todas as pessoas que deixaram, neste cantinho, o seu testemunho dedicado a esta jovem tão espetacular. Agradeço também a muitos outros que por aqui passaram e leram a sua história de vida. Pode continuar a deixar aqui a sua dedicatória, se preferir.
mãe

Teresinha, Como foi bom ter uma filha como tu. Fui uma mãe feliz, apesar de terem sido poucos os anos que beneficiei desta felicidade (17 anoa). Resta-me recordar o amor que sentíamos uma pela outra, particularmente neste dia. Muitas mães sofrem,como eu, os filhos que perderam, dor que só é codificada por quem vive este drama. Estarás sempre no meu coração, grande como aquele que a tia Cila foi hoje colocar no cemitério, com a foto em que estás ao meu colo. a tua mãe que não te esquece... Domingo, DIA DA MÃE
mãe

A vida A vida é o dia de hoje. A vida é aí que mal soa. A vida é sombra que foge. A vida é nuvem que voa. A vida é sonho tão leve e como o fumo se esvai. A vida dura um momento, mais leve que o pensamento. A vida leva-a o vento. A vida é folha que cai! Autor: João de Deus Pelo o orvalho da manhã (17 anos e 2 meses) caíu a folha. Que bonita, brilhante, viçosa, demasiado cedo para nos deixar. A tua mãe, Adoro-te filha 28 de Abril 2013
mãe

Teresinha, Leva o avô Moreira para perto de ti. Dá-lhe o carinho e a paz que merece. Retribui-lhe todo o amor que te deu. Agradece-lhe as visitas que todos os sábados fez ao cemitério para te ver. A partir de agora nada está mais ao nosso alcance, só tu poderas recompensá-lo. Sei que vais fazer o teu melhor, não era preciso pedir-te. Até sempre A tua mãe
mãe

Olá Tété. Na sexta feira, depois de te ir visitar, também fui visitar a Ni, eu e o Vasco. Já não a via à uns anos... e foi o recordar de tantos momentos e sentimentos que vivemos juntos no Mindelo. Para a semana, vou pela primeira vez fazer o caminho de Santiago, a partir de Ourense, sabes? Estou ansiosa... vou levar-te comigo, sei que era uma das coisas que tu gostavas muito de fazer. desta vez também vais fazer comigo... Depois vou-te dando notícias desta minha aventura... Todos dizem que eu vou adorar e que depois até vou querer repetir... que assim seja. Já reparei que o teu pai, iniciou este fim de semana o caminho... quase que nos poderíamos cruzar... Quero que saibas que nunca foste esquecida por nós. Um abraço apertado com saudade, com a certeza que um dia daremos um abraço eterno, até já TéTé.
Ana (Baião)

Caminho, voltamos ao Caminho. Um \"Até já!\" e aquele abraço que só se sabe dar por lá. Carlos M. Braga
Carlos M. Braga

No caminho... Olá, filha! O Daniel faleceu hoje.Ontem fui vê-lo,com o teu padrinho, e...o panorama já não era animador.Não consegui falar com ele porque já estava a pedir a Deus,que o levasse.Sei que gostavas dele e vais ter certamente a oportunidade de te encontrares com ele, porque era efectivamente boa pessoa.Metódico,organizado,simpático,conversador,afável,....e as férias que passamos com ele e a familia, no Brasil vão ficar nas nossas memórias... Amanhã,vamos iniciar mais um Caminho.A tua mochila já está pronta, assim como a minha e a do João.O João já partiu hoje, com os colegas do 10º e 11º.Estava eufórico,como é habitual.Não assisti á partida, porque tive que ficar em casa a arrumar e aspirar a casa.Tem que ser,não te rias...é verdade! Este Fevereiro, vamos em dois grupos e começamos ambos em Sarria, no albergue da simpática Tita. Desta vez, a nossa familia vai engrossar com a presença da tia Cila e da prima Marta.Ou seja, da familia estamos:pai,irmão João,tio Abel,tio Victor,tia Cila,primo Zé Guilherme,prima Maria,prima Marta.É obra!!!! Vou pensar muito em ti e em todos aqueles que nos são queridos.Estarás sempre no nosso pensamento... Filha,não tenho ulizado muito o memorial,mas tu estás e estarás sempre no nosso coração.A vida não tem sido fácil, mas com a força que nos tens dado vamos ultrapassar todos estes obstáculos. Aquele abraço filha! Até Sião! Vamos caminhando....
Pai

QUERIDA TERESINHA NO SÁBADO VAMOS NOVAMENTE FAZER MAIS UM CAMINHO DE SANTIAGO (DESDE SARRIA).COMO SABES VAMOS SENTIR AQUELAS COISAS QUE NINGUÉM SABE EXPLICAR, NEM AS PALAVRAS. NÃO QUERIA SAIR SEM TE DIZER E NÃO ME CANSAREI NUNCA QUE VAIS CONNOSCO E ESTARÁS SEMPRE CONNOSCO ...ATÉ SIÃO TÉTÉ...
FERNANDO

“A morte da minha filha não pôde ter acontecido em vão” O ser humano possui uma grande capacidade de resistir ao sofrimento psíquico. Se pensam que não aguentariam uma dramática notícia, estão redondamente equivocados. Confesso que, não sei explicar onde fui buscar coragem para assistir às últimas homenagens e despedida da minha filha. Vestir um filho para o seu baptizado, comunhão, casamento é o que está previsto acontecer e dá-nos uma alegria imensa, mas vesti-lo para o seu enterro…! É demasiado violento para ser suportado por uma mãe ou um pai, certo é que estive presente, vocês sabem bem e não sou única que vive este filme de terror. Com a passagem dos anos vou aprendendo a viver sem a minha Teresinha. Continuo a não aceitar a sua precoce partida…., ausência que vou tentando compensar inventando conversas, recordando acontecimentos alegres e outros tristes, indo ao cemitério, local onde estão depositados os seus restos mortais, levar flores, que coloco sobre a campa para que fique bonita, ritual que desempenho com toda a sabedoria, carinho e muito amor. Contudo tais atitudes parecem-me insuficientes! Não passam de tarefas básicas para mim, mãe privilegiada, mãe de um ser com uma personalidade invulgar e pleno de qualidades. Sinto que me amputaram a alegria de viver, mas reconheço que a maior vítima foi, sem dúvida, a minha filha. Assisti à sua desesperada luta, a todo o seu sofrimento perante um tratamento com tantas sequelas e sem sucesso, por fim, à sua desilusão. Vi e senti a forma corajosa como se agarrou à vida, que não queria perder, motivos que sobram para pensar que, talvez possa estar nas minhas mãos fazer algo mais: “A morte da minha filha não pôde ter acontecido em vão” É com este espírito, que encaro cada novo dia. Procuro ser melhor hoje, do que fui ontem. A minha filha, aquela miúda que todos nós recordamos, passou a ser, para mim, um estímulo para enfrentar as adversidades da vida, passou a ser a minha referência de conduta como ser humano. Mesmo assim, não tem sido fácil caminhar em terreno tão adverso, preciso do apoio do meu marido, dos meus 3 filhos, da amizade de familiares e amigos aqui presentes e alguns ausentes. Não posso deixar de agradecer o auxílio moral, educativo e até económico do Colégio Luso - Francês, do qual espero poder continuar a contar com a amizade, ajuda e compreensão de todos aqueles que nele trabalham e o tornam nesta Instituição tão cheia de significado para mim. O percurso de vida da Teresinha deixou-me ensinamentos que o tempo é incapaz apagar. Durante estes 7 anos procurei mantê-los vivos, próximos de mim, só possível à custa de viagens que faço em busca de memórias emocionais, visuais, auditivas e olfactivas, estas últimas já quase imperceptíveis. Cada viagem é um regresso ao passado, a saudade comanda as emoções, a cruel e dura realidade “morrer com 17 anos de idade” é encarada e assumida, não se mascara, ou se esconde para não doer, nem se adia, nem se enfeita para parecer bonita ou falsa. São viagens penosas, fazem doer as entranhas, mas uma mãe ou pai alimenta-se deste sofrimento, o filho que perdemos merece, é difícil explicar, pode até parecer masoquismo…, atitudes emocionais descodificadas apenas por quem passa por esta penosa vivencia, os demais cidadãos evitam, protegem-se a si e aos seus. Olhando para trás, até compreendo tais atitudes, contudo é bom que tenham presente que, um dia, poderão ser o receptor das tais dramáticas notícias. Há meses, numa dessas viagens, liguei o ipod, aparelho de musica da Teresinha. O registo dessa experiência está no seu memorial, para quem quiser ler. Há dias, uma outra viagem, liguei o seu telemóvel. Segurei-o entre as palmas das mãos e observei aquele tesouro demoradamente, pensei na quantidade de impressões digitais ali deixadas por ela. Não tinha dúvidas que continha informação valiosa. Acariciei-o e afaguei-o junto ao meu rosto, como se o aparelho tivesse sentimentos… e se tinha, tantas imagens e palavras guardadas, carregadas de emoções. Tinha plena consciência da leviandade que estava tentada a cometer, caso a Teresinha estivesse viva, respeitaria a sua privacidade, mas a vontade de saber o que guardava foi mais forte e convenceu-me: - Peço desculpa Teté, mas não resisti. Com a mão a tremer cliquei “as minhas imagens”. À medida que vou passando as fotos aparece uma lista infindável de seres irracionais, das mais variáveis espécies: cães, gatos, coelhos, pássaros e ratos hamsters. Achei piada à colocação de nomes nas fotos. A sua especial relação com os animais é do conhecimento de todos, que com ela privaram, pois no seu telemóvel encontra-se demonstrada de forma inequívoca. A certa altura já receava que não tivesse nenhuma foto minha, mas não, lá vem uma que diz “Birgolyne” (o meu nome quando queria brincar). Apareço ao fundo, na praia do Mindelo, com o vento a levar-me o cabelo. O pai tem também uma com o padrinho Toni, que por sinal estão ambos muito bem. Imprimi apenas algumas, para vocês verem. Não fiquem tristes por não se encontrarem nos seus registos, pois os mais significativos são os animais, onde os cães se destacam, o Futebol Clube do Porto e o concerto do U2, no ano de 2005 em Alvalade, que foi assistir, já doente. A seguir cliquei “as minhas mensagens”. Campo minado, perigoso…, ler algo que ainda não soubesse! Estava previsto. Tive que respirar fundo, para ganhar coragem. Comecei a abrir uma e depois outra, as lágrimas já escorriam pela face… e turvavam o olhar, com suspiros pelo meio e algumas paragens, continuei viagem até ao fim. Li tantas mensagens de carinho e encorajamento, nas recebidas, contrastando com as de desalento e tristeza nas enviadas por ela…. Como compreendem não imprimi nenhuma mensagem. O telemóvel encontra-se guardado com os contactos, fotos, mensagens, pequenos filmes, músicas, tal e qual como ela o deixou e assim vai permanecer. Apenas vos informo que a Teresinha queria ir comprar umas prendinhas, para oferecer pelo Natal. A morte da Teresinha não pode ter acontecido em vão, sinto, está ao meu alcance fazer algo mais. E vocês, já olharam bem para o vosso lado? Despeço-me até uma próxima viagem. A tua mãe que não te esquece. 12 de Dezembro 2012
mãe

Olá Eduarda Posso trata-la assim? Acabei de ler o seu testemunho. Nem consigo ezprimir aquilo que sinto. Realmente como se consegue sobreviver à morte de um filho? Nem consigo imaginar. Tenho 3 filhos. Diz que aguentamos mais do que aquilo que imaginamos. Será? Não sei. Mas sei que a vossa dor, tem que ser uma dor muito forte , pois perder um filho é desumano. Muitos beijinhos cheios de carinho para si, o seu marido e os meninos. Como diz, realmente não. A morte da Teresinha não foi em vão. Coragem e força Paula Manuela
Paula Manuela

Olá Teresinha Ontem com certeza foi um dia muito doloroso para os teus pais. Continua a iluminá-los nos sus caminhos. Um beijinho com muito carinho Paula Manuela
Paula Manuela

No caminho... Filha,faz hoje 7 anos que nos deixaste.É mais um dia negro na minha triste vida. Estou a ouvir Génesis \"the carpet crawlers\"...gosto muito desta música...\"crawlers\"são muitos daqueles que se dizem serem nossos amigos. \"A quem te estás a referir, pai?\" \"A esses filha, que tu estás a pensar, esses mesmo!!!\" \"Não me acredito, pai!!\" \"O meu....,a minha ...,os meus...,as minhas...???? \"Acredita filha, que é verdade!\" \"Deixa lá pai,que a vida dá muitas voltas.Faz mas é o possivel para que os meus irmãos sejam homens,com H grande.Não fiques triste, pai\" \"Até já,filha e descansa em paz!\"
Pai

Olá Teresinha, Hoje passa mais um ano que nos deixaste, são anos de saudade, de recordação, de memórias, de tristeza. Muitas Saudades! Bjs Alexandra


Olá Teresinha Sei que não me conheçes, mas acompanho muito o teu memorial. Já por 2 vezes publiquei aqui. Na impossibilidade de ontem vir aqui, estou aqui hoje para te dizer que não me esqueçi do teu aniversário, e sei que apesar de não estares presente fisicamente, estás no coração de todos quanto te amam. Tambem perdi uma amiga com cancro, que lutou durante 10 anos contra ele e infelizmente ele foi mais forte. Mas ela continua a viver dentro do meu coração assim como tu no coração dos teus pais. Olha por eles e continua a dar-lhes força para continuarem os seus caminhos sem ti. Tambem sou mãe de 3 crianças e não consigo imaginar a perda de um deles. Um beijo sentido para ti e para os teus pais Feliz aniversário Paula Manuela
paula Manuela

13 de Outubro de 2012 “Com o passar do tempo…” Para o Zé e Eduarda (e todos os pais em luto… obrigados a sobreviver, a cada ano que passa, ao aniversário do filho(a) que já morreu…) Os pais em luto conhecem, como ninguém, o sabor amargo dos aniversários que já não se cumprem… Os pais em luto conhecem, como ninguém, a sensação de continuar a somar anos virtuais a um tempo que já parou… Nestes dias, a dor da amputação agiganta-se ainda mais… Nestes dias, os filhos que perdemos ocupam ainda mais espaço na nossa memória, lá onde moram recordações de outros aniversários repletos de sonhos… Nestes dias, a dor e a revolta por uma vida roubada tão precocemente ferem ainda mais as entranhas… Nestes dias, é ainda mais insuportável aceitar a condição de ter sobrevivido a um filho… Nestes dias, nem a máscara que usamos todos os dias consegue disfarçar o cancro que nos corrói a alma… Nestes dias, a ferida teima em sangrar sem parar… Desenganem-se aqueles que nos tentam convencer que o tempo cura tudo: a perda de um filho não entra nessa categoria, nem em nenhuma, é dor aparte, marginal, que escapa a qualquer tentativa de categorização… Com o passar do tempo, o que diminui não é a dor de ter perdido um filho, mas a permissão de a dizer … Com o passar do tempo, o que diminui não é a dor da ausência mas a tolerância daqueles a quem dói o simples esforço de imaginar como é possível sobreviver a um sofrimento tão profundo… Com o passar do tempo, a dor do que nos falta vive-se progressivamente menos para fora, e cada vez mais para dentro, numa inflexão que a torna cada vez mais nossa, mais entranhada e estruturante, uma espécie de segunda pele que só não vê quem não quer… Com o passar do tempo, os pais em luto tornam-se cada vez mais hábeis na arte do fingimento e na arte de esconder a alma, cada vez mais peritos em mascarar uma dor que (quase) ninguém consegue suportar… Com o passar do tempo, os pais em luto aprendem a ludibriar todos aqueles a quem custa aceitar as outras pessoas em que nos tornamos… Só assim se consegue sobreviver, com uma dor tão funda e tão intransmissível que nunca chega aos outros, categoria em que cabem todos os que não foram amputados de filhos… À nossa frente erguemos uma fonteira, uma espécie de biombo que vai escondendo, ou disfarçando, o tamanho do fosso que se cavou entre o mundo tal como o conhecíamos e este em que fomos obrigados a renascer… Mas, claro, esses truques aprendem-se à custa de muitos gritos que se vão reprimindo… Ana Granja
Ana Granja

Minha filha, A tua morte levou parte de mim, como se a minha vida ficasse dividida no antes e no depois à tua partida. Lembraste como éramos uma família feliz, com saude e unidos? As nossas obrigações e responsabilidades tinham sempre prioridade, alguns pequenos dissabores, por vezes também apareciam, mas bastava uma pequena dose de empenhamento e eram facilmente superados. Os projectos que planeávamos, o prazer de partilharmos tarefas juntas, os mais apetecidos eram os programas de férias, os preparativos, as discussões, as confusões das vésperas das partidas, tudo correu sempre às mil maravilhas. O sofrimento ou a dor profunda nunca esteve previsto, não fazia parte das nossas vidas. Hoje, ao recordar esse tempo parece que tínhamos a família perfeita. Certo dia, o destino trágico bateu à nossa porta, sem pedir autorização entrou e levou o que eu tinha de mais sagrado, o valioso tesouro que tu escondias, dano que deixou a nossa família irremediavelmente destruída, facto irreversível para o qual eu não estava preparada. Hoje sinto-me precocemente envelhecida, uma carcaça onde a tristeza, a saudade e a melancolia são residentes permanentes, de acesso restrito e geralmente indesejado pelos outros, sem duvida mais sensível ao verdadeiro sofrimento do meu próximo, pequenos e simples gestos aprendi a apreciar e a valorizar da pior maneira possível. - “Tens de viver um dia de cada vez…” Ouço esta frase vezes sem conta, parece receita instituída para todos os males. O que quer dizer? Para não pensar no amanhã, para não criar expectativas, sejam elas falsas ou verdadeiras, que o passado foi bom, mas paciência, já não existe mais, que a vida prega partidas, tenho que me aguentar? O que perdi Teresinha foi demasiado… e o que resta não compensa. Particularmente hoje, porque farias mais um ano (24 anos), vou enxovalhar-me nas memórias de tempos idos, vou naufragar… abrir, uma vez mais, as feridas por cicatrizar, chorar lágrimas que já não tenho, fechar os olhos e imaginar o teu belo, inconfundível sorriso, recordar a felicidade do teu jovem rosto, alegre e curioso quando abrias o presentinho, aquela tua meninice que, de forma tão peculiar, se manifestavas sempre neste dia fantástico. 13 De Outubro de 2012, dia do teu aniversário A tua mãe
mãe

No caminho... Filha,nasceu o Leonardo!!!!! Parabéns á Fatinha e ao Romeu e tambem aos avós,boa gente que bem merece esta alegria.Eu sei que lhes tenho que dar um abraço por ti,eu sei... Até já,filha! Vamos caminhando....
Pai

No caminho... Filha,no dia 15 de Setembro de 1984(28 anos) estava o teu pai Zé e a tua mãe Eduarda,a casarem-se na Capela do Telheiro.Seria um dia feliz para nós,se tu estivesses aqui,assim...foi um dia perfeitamente normal,pese embora a boa companhia dos teus irmãos. Ah,a tua amiga Susana e o Pedro,tambem fazem anos de casados.Parabéns tambem para eles. Até já,filha! Vamos caminhando...
Pai

No caminho... Filha,chegamos do Caminho.Como sempre foi excelente.Os teus irmãos não foram,por um motivo ou por outro,não quiseram ir,embora sinta que o João ficasse arrependido.Em Fevereiro há mais... As aulas estão quási a começar,ainda bem,já chega de malandrice... Sei que para mim e para a tua mãe,vão começar os martirios,mas preferimos. Até já,filha! Vamos caminhando...
Pai

No caminho... Filha,vamos iniciar mais um Caminho. O Cebreiro.Vou iniciar o Caminho com o Fernando,o Victor (cunhado) e o Victor Figueiredo. Recordo-me que no Caminho de Fevereiro de 2005,quando telefonaste á tua mãe e lhe dizias: \"Mãe está a nevar em O Cebreiro\" Sentiamos,eu e a tua mãe,que a tua alegria era enorme...ironia do destino,nem um ano passou e já tinhas partido... Estou desde meados de Julho no Mindelo.A tua mãe,como responsável que é,tem trabalhado sem descanso e os teus irmãos dormem imenso,pelo que tenho passeado muito á beira-mar,sózinho,triste,desanimado por vezes,e chego á conclusão que não suporto a tua ausência...ao contrário de muito boa gente,que já se esqueceu de ti á muito tempo.Como dizia o Camilo Castelo Branco: \" Os Amigos \" Amigos cento e dez, e talvez mais, Eu já contei.Vaidades que eu sentia! Supus que sobre a terra não havia Mais ditoso mortal entre os mortais. Amigos cento e dez,tão serviçais, Tão zelosos das leis da cortesia, Que eu,já farto de os ver,me escapulia Ás suas curvaturas vertebrais. Um dia adoeci profundamente. Ceguei.Dos cento e dez houve um somente Que não desfez os laços quase rotos. - Que vamos nós (diziam) lá fazer? Se ele está cego, não nos pode ver... Que cento e nove impávidos marotos! Espero,mais uma vez, que este Caminho sirva para me ajudar a ultrapassar esta fase menos boa,que é além da tua ausência é estar desempregado,a minha cabeça se já não funcionava bem,agora funciona pior.Como sempre vais estar no meu pensamento,assim como aqueles que como tu, já não estâo na nossa presença.Espero que,apesar de tudo,me continues a dar alento para continuar este Caminho que tem sido tudo,menos fácil. Até Sião! Vamos caminhando...
Pai
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