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António Manuel Feliciano Cupertino, nasceu em 1951 em Rio Maior.
Cedo perdeu seus pais com apenas 7 anos vitimas de tuberculose ficando órfão e tendo sido internado num lar de rapazes em Santarém. Ali passou toda a sua infância, a sua adolescência e quando atinge a maioridade vai para a tropa. Foram tempos difíceis os vividos no lar sofreu maus tratos físicos e psicológicos.
Conheceu a minha mãe antes de ir para a tropa mas teve de partir em missão foi 2 anos para a guerra do ultramar mas nunca pararam de chover cartas um para o outro e nunca mais se largaram. Quando regressou casaram, tiveram 2 filhas eu actualmente com 31 anos e a minha irmã com 18 anos. Regressou também ao lar onde aprendeu encadernação ofício esse que viria a ser o seu emprego no futuro.
Posteriormente empregou-se no vale de Santarém num centro para portadores de deficiência mental com o nome de APPACDM. Foi monitor do ensino especializado, ensinou encadernação a deficientes e deu formação a utentes do centro de emprego. Trabalhou 30 anos com deficientes adorava o que fazia era muito gratificante.
Como pai nunca foi de muitos carinhos e afecto mas era amigo e preocupava-se. Talvez porque nunca tenha tido pais para lho darem a ele nunca soube como dar ás filhas. Era um homem tímido e reservado muito fechado sobre si só talvez devido a uma infância difícil. Mas adorava estar com os amigos no café da rua onde morava e ali tomava o seu copito depois de vir do trabalho uma forma de também descarregar o stress do dia a dia. E fumava, muito, já há muitos anos motivo esse que foi também a causa da sua morte.
Faleceu novo com apenas 53 anos, no dia 24 de Fevereiro de 2004 com um enfarte do miocárdio fulminante devido a uma arteriosclerose agravada. Tinha o colesterol alto e medicamentos nem vê-los. Semanas antes de ele falecer tinha morrido em campo durante um jogo de futebol um jogador do Benfica de seu nome Miklos Féher caindo inanimado de algo fulminante. Recordo o meu pai na altura ter dito, assim é que eu gostava um dia de morrer, de uma morte rápida sem dor nem sofrimento. E por ironia do destino deus fez-lhe a vontade levando-o semanas depois da mesma forma.
Há 2 dias que não o vi-a, nem sequer me pude despedir mas quem é que iria imaginar que partisse assim tão de repente. Só conheceu um neto, posterior a isso tive uma menina, e fica em mim a mágoa de ele nunca a ter conhecido mas a vida é assim.
Fiz o meu luto como toda a gente faz, demorado por sinal mas em tudo há um timing e cada pessoa tem o seu. Lembro-me dele muitas vezes mas sei que onde ele está olha por nós e que um dia nos vamos encontrar. As saudades são mais que muitas.
É por isso que quero aqui lhe prestar em meu nome e no de todas as pessoas que o amavam uma enorme gratidão. Pelo marido, pelo pai, pelo avô, pelo amigo e pelo bom colega de trabalho que foi, todos gostavam dele, um grande abraço, um eterno descanso e a promessa de que todos um dia nos vamos encontrar para o começo de uma nova vida, a vida eterna.
OBRIGADO PAI…
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