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Faleceu em 24 Fevereiro 2004 País de Nascimento Portugal Memorial criado em 13 Março 2009
Biografia
António Manuel Feliciano Cupertino, nasceu em 1951 em Rio Maior.
Cedo perdeu seus pais com apenas 7 anos vitimas de tuberculose ficando órfão e tendo sido internado num lar de rapazes em Santarém. Ali passou toda a sua infância, a sua adolescência e quando atinge a maioridade vai para a tropa. Foram tempos difíceis os vividos no lar sofreu maus tratos físicos e psicológicos.
Conheceu a minha mãe antes de ir para a tropa mas teve de partir em missão foi 2 anos para a guerra do ultramar mas nunca pararam de chover cartas um para o outro e nunca mais se largaram. Quando regressou casaram, tiveram 2 filhas eu actualmente com 31 anos e a minha irmã com 18 anos. Regressou também ao lar onde aprendeu encadernação ofício esse que viria a ser o seu emprego no futuro.
Posteriormente empregou-se no vale de Santarém num centro para portadores de deficiência mental com o nome de APPACDM. Foi monitor do ensino especializado, ensinou encadernação a deficientes e deu formação a utentes do centro de emprego. Trabalhou 30 anos com deficientes adorava o que fazia era muito gratificante.
Como pai nunca foi de muitos carinhos e afecto mas era amigo e preocupava-se. Talvez porque nunca tenha tido pais para lho darem a ele nunca soube como dar ás filhas. Era um homem tímido e reservado muito fechado sobre si só talvez devido a uma infância difícil. Mas adorava estar com os amigos no café da rua onde morava e ali tomava o seu copito depois de vir do trabalho uma forma de também descarregar o stress do dia a dia. E fumava, muito, já há muitos anos motivo esse que foi também a causa da sua morte.
Faleceu novo com apenas 53 anos, no dia 24 de Fevereiro de 2004 com um enfarte do miocárdio fulminante devido a uma arteriosclerose agravada. Tinha o colesterol alto e medicamentos nem vê-los. Semanas antes de ele falecer tinha morrido em campo durante um jogo de futebol um jogador do Benfica de seu nome Miklos Féher caindo inanimado de algo fulminante. Recordo o meu pai na altura ter dito, assim é que eu gostava um dia de morrer, de uma morte rápida sem dor nem sofrimento. E por ironia do destino deus fez-lhe a vontade levando-o semanas depois da mesma forma.
Há 2 dias que não o vi-a, nem sequer me pude despedir mas quem é que iria imaginar que partisse assim tão de repente. Só conheceu um neto, posterior a isso tive uma menina, e fica em mim a mágoa de ele nunca a ter conhecido mas a vida é assim.
Fiz o meu luto como toda a gente faz, demorado por sinal mas em tudo há um timing e cada pessoa tem o seu. Lembro-me dele muitas vezes mas sei que onde ele está olha por nós e que um dia nos vamos encontrar. As saudades são mais que muitas.
É por isso que quero aqui lhe prestar em meu nome e no de todas as pessoas que o amavam uma enorme gratidão. Pelo marido, pelo pai, pelo avô, pelo amigo e pelo bom colega de trabalho que foi, todos gostavam dele, um grande abraço, um eterno descanso e a promessa de que todos um dia nos vamos encontrar para o começo de uma nova vida, a vida eterna.
OBRIGADO PAI… |
Velas Acesas (1)
Uma noite eu tive um sonho
Sonhei que estava andando na praia com o Senhor e através do céu, passavam cenas da minha vida.
Para cada cena que passava, percebi que eram deixados dois pares de pegadas na areia: um era meu e o outro era do Senhor.
Quando a última cena passou diante de nós, olhei para trás, para as pegadas na areia e notei que muitas vezes, no caminho da minha vida, havia apenas um par de pegadas na areia.
Notei também que isso aconteceu nos momentos mais difíceis e angustiosos do meu viver. Isso me aborreceu deveras e perguntei então ao Senhor:
- Senhor, Tu me disseste que, uma vez que resolvi te seguir, Tu andarias sempre comigo, em todo o caminho. Contudo, notei que durante as maiores atribulações do meu viver, havia apenas um par de pegadas na areia. Não compreendo porque nas horas em que eu mais necessitava de Ti, Tu me deixaste sozinho.
O Senhor me respondeu:
- Meu querido filho. Jamais eu te deixaria nas horas de provas e de sofrimento. Quando viste, na areia, apenas um par de pegadas, eram as minhas. Foi exatamente aí que eu te carreguei nos braços.
Do livro “Pegadas na areia” - Margareth Fishback Powers - Ed.Fundamento
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